domingo, 21 de novembro de 2010

Porém com todo respeito, te carrego no meu peito

Tive um sonho, dia destes, com o Chico Buarque de Holanda. Não, não foi o sonho medonho desses que às vezes a gente sonha e baba na fronha e se urina todo e quer sufocar. Foi um sonho maneiro, mineiro, calmo, tranquilo, destes que a gente sobe a construção como se fosse sólido e ergue no patamar quatro paredes mágicas, tijolo com tijolo num desenho ilógico.
Não sei por que cargas d’água – sonho a gente respeita – Chico fez um show numa cidade do Norte de Minas e fui assistir. Liguei pro Chorró, fã condicional do compositor (não se esquecendo que ‘todo compositor brasileiro é um complexado’, como ensinou Tomzé). Nos encontramos ao lado da pensão que Chico estava hospedado com seus músicos. Pensão? Parecia a Pensão Nossa Senhora Aparecida, que existiu certa vez na Avenida do Comércio, em Janaúba. Mas a cidade não era a gorutubana, embora aquele pedaço lembrasse o Buraco de Amélia. Tentei que Inês fosse – ela estava numa roda de pagode – mas preferiu pagodear. Chorró levou Margareth.
Nos encostamos a um muro, em frente ao jardim da pensão, e ficamos curtindo ele lá, cantando. Se lembra quando toda modinha falava de amor/ pois nunca mais cantei, oh maninha/ Depois que ele chegou...
Como todo sonho deixa seus saltos, seus brancos (e até seus negros), e nem sempre a gente sabe como eles vem ou vão, já estávamos os três na sala de estar da pensãozinha, que agora parecia o hotel da mãe do Noriel Cohen, na rua Dr. Santos, em frente ao Bar do João e do Prontocor. Conseguimos falar com Chico, a quem chamei de “Seo” Francisco, com toda pompa e circunstância da música clássica que me vinha aos ouvidos naquela hora. E, ao invés do Chorró se derreter em lágrimas emotivas, isto aconteceu comigo. Chorei copiosamente quando Chico me abraçou. Gosto do Chico, de tudo que foi e é o Chico, de tudo que nos ensinou o Chico, mas sou fã do Caetano. E do Tino. Mas naquela hora, além de lágrimas, suas músicas tiritaram em minha cabeça. Da primeira, a Banda, que me levou aos tempos de minha mãe e tia Edi, mãe da Tereza Cristina, Márcio Hiram, Bete e Marcelo. Elas cantarolavam-na enquanto cozinhavam. Ou fritavam um bife. Acebolado.
Acordei com o verso ‘A minha gente sofrida’. Acordei com minha gente sofrida na cabeça. Essa gente sofrida que pede esmola na esquina, que morre na contramão atrapalhando o sábado, que não sabe amar, que vive por viver sem saber o por que. São as Sônias, Lucianas, Valdir; Cândidas, Lourdes, Felipe; Homeros, Rossinis, Terezinha; Mirim, Vanderley, Fatinhas; Lucias, Romanas, Waldomiro. São tantas pessoas.
Montes Claros está cheia de gente sofrida. Basta ler algumas páginas dos jornais. Pare nas páginas de Polícia e Sociedade. Morte, depressão, violência, gente sem vida. Nego humilhado, morto-vivo, flagelado. E não é sonho.
Da janela na copa das árvores vejo o dia envelhecer cinza, envolto num véu de bruma, dando tapinhas nas costas das casas, que respondem acenando luzes nas janelas. E a noite vai caindo lenta e jovem. É a hora mais linda e triste dessa minha terra, o lusco-fusco, a hora do Ângelus. Me lembro de um amigo meu, que não vale citar o nome, me perguntando se já fumei maconha. Ele conta que fumou a primeira vez e não sentiu nada. Sua noiva lhe perguntava, a toda hora: cadê o tapa? Cadê o tapa? E ele, com aquela cara engraçada, olhando para ela, rindo... Que tapa?
Outro, João, na época em que trabalhei na Transit, 1975, teve dois processos na polícia. Um como comunista. Outro como facista. Ele jogava mesmo os pobres contra os ricos. Chegava numa cidade, Varzelândia, Várzea da Palma, Cachoeirinha, fundava logo um clube para as pessoas mais humildes e pobres com tudo que o clube dos ricos tinha. Numa destas cidades aí, teve que sair de noite, escondido na boléia de um caminhão. Não sei hoje onde se encontra o João, que morava na Avenida Cula Mangabeira. Se apenas militou, se apenas o militaram. João sumiu, e pode nem estar mais neste reino da terra. Nem recebeu uma moda de viola ou virou folclore. Esqueceram dele. Estes militares...
Assisti uma vez uma senhora da sociedade nossa procurar um pastor e, para agradecer uma cura através de bênção, arrancar brincos, anéis, pulseiras e deixar tudo para a igreja. Eu nunca vi tanto dinheiro como tinha aquele pastor, que também era vereador e relojoeiro. Ele mandava pro banco o dinheiro em caixas de sapato. Tenho idéia de fazer um livro sobre este dublê de pastor e político. Era uma figura interessantíssima, amiga dos ricos.
Meus tios Eudipson, Euderson, Eunilson, Euridson, Duque, Oraide, Eulidson e Geraldo, foram embora da terra montes-clarina. Pai, Novaes Novo, ou Novaeszinho, foi o único a ficar, a ser enterrado junto com meu avô, João, o Novaes Velho. Angélica mora hoje no cemitério do Bonfim de Belo Horizonte, junto com Oraide, ali enterrada há um mês. João, no Bonfim de Montes Claros. Devem ter se encontrado no infinito eterno. Já pai e mãe ficaram juntos com o Rays. Muito da saída de meus tios das terras montes-clarinas veio do que aconteceu com João nos anos 1930. Principalmente num cemitério da cidade, a mando de Dona Tiburtina.
Tio Messias, que não entrou na cota dos tios anteriores – assim como tio Francisco – era otimista com relação às pessoas. Achava-as sensíveis à verdade. Se existia um dramão, ele discutia, resolvia. Pelo menos aparentemente. Para ele, se as coisas ficarem fechadas não entra ar, não tem possibilidades, não há o ponto-chave. Tem gente que fala tão mal da vida dos outros que dá até íngua.
E as tem as pessoas da cidade. Você já teve a curiosidade de conversar com elas? Por exemplo, Luzia. Diz: “lá no meu bairro tá faltando água. Lá em casa vai água duas vezes por semana. Ai, como eu fiquei velha depressa aqui em Montescraro. Nossa Senhora! Quando eu vim de minha terra era uma menina!” Já Antônio: “não acha um absurdo uma pessoa vir desse interiorzão pra se tratar em Montescraro? Sabe o que tenho mais medo? É procurar um ponto-socorro porque nem todo ponto-socorro atende a pessoa na hora. É difícil. Eu tenho visto aí a gente paga isso aquilo, precisa ir ao ponto-socorro tal e quando chega lá o filho tá morto”.
Marilda: “você escreve muito, é? Qual a linha que adota para escrever? No meu caso estou na linha do realismo fantástico. Será que a gente tem que se preocupar em ficar dentro de uma linha? Acho que não. Acho que a gente tem que escrever escrever escrever até com certa humildade para ver qual a linha final”. Helena: “No momento eu me sinto mal em Montescraro. Nos últimos anos, esta cidade se transformou numa cidade completamente ressecada, desumanizada. Pra gente não se estender muito sobre isso, vou te dar um exemplo que acho contraditório, desumano. Eu sou uma pessoa que gosta muito de música. Desde que me conheço. E hoje isso é um fenômeno massacrante. Tem a cidade invadida pela música de uma maneira insuportável, utilitária, e onde ninguém mais presta atenção a ela. Carro de som nos barzinhos, bicicleta de som pelas ruas, o som das casas de discos... Isso neutraliza completamente aquilo que a música pode significar para o homem”.
Jorge: “você já fumou maconha? Eu fumei uma vez mas no senti nada”. Seu Zé: “não gosto desta cidade, se eu pudesse voltava pro campo. Lugar de sossego pra criar família honesta é o campo. Aqui há coisa que não serve pra uma família assistir. Não conto com um filho honesto. Conto com um ladrão um perdido que não aprende nada. Só malandria”. Mauro: “Aqui, sábado e domingo, cai tudo na safadeza. Já foi no (...)? Vai todo mundo. Bicha, mulher, safado. A gente baixa lá pra sentir aquele treco. Agora, quem tem dinheiro vai pra boates. Meu derivativo é pinga e mulher. Tem outra coisa, gostei de uma menina. Não casei. Medo de chifre. Das safadezas. A maldade é muito grande. Fiquei sem vergonha mesmo. Ela sai com todo mundo. E come comigo”.
Lembra de Tom Zé? Aquele, de ‘todo compositor brasileiro é um complexado’? Pois é dele também o verso
‘Porém com todo defeito
Te carrego no meu peito’

Ela é alguma coisa no caminho, ela sabe

Era um bordel nublado por cigarros e poeira da rua sem asfalto, que cruzava com a Melo Viana. Correia Machado?, pergunta alguém. A janela dava para o quintal daquela casa de encontros onde homens sentavam em mesas antigas, algumas quebradas. Pelas mesas passavam velhas raparigas como o tempo e novas meninas com tempo.
Naquele quintal tinha um pé de goiaba, talvez das brancas, talvez das vermelhas, não dava para se saber qual. Nunca ganhou uma, nunca pediu à dona daquela casa suspeita, embora, nas raras vezes que chegou a janela, viu algumas bonitas, grandes, que enchiam sua boca d’água. Chegava a falar oi com a dona, que tinha uma bunda medonha e uma cara de sonsa. Só a cara.
Abria-se pouco aquela janela da casa. Talvez para não enxergar naquele espaço - que deveria ser o bar do bordel -, homens e mulheres fazendo safadeza. Conhecia algumas das moças. Tinha Iaiá, procurada durante o dia para derrubar vermes de criança, praguejar bicheira, benzer verruga naquele espaço de cidade. Tinha Anita, que gostava de uma trepada e, por tanto gostar, foi parar ali, tão logo passou a lua de mel e ver que o marido não agüentaria seu fogo. Tinha Juve que gostava de ir ao botequim com um vestido de cetim, um pouco solto na cintura e sem roupa de baixo...
Perto dali uns cem metros mal medidos, ficava um botequim, onde os filhos de dona Linda ganhavam a vida. Não tão limpo, não tão sujo, um botequim. No canto, sempre havia um bêbado (Luiz Gastabala?) que rabiscava versos num papel antigo (Rafael?), daqueles de embrulhar carne.
A Melo Viana (Melviana para alguns) ganhou este nome, dizem os historiadores de plantão – e como a cidade os tem -, porque por ali fugiu o então vice-presidente da República, Fernando de Melo Viana, naquele seis de fevereiro de 1930, escapando dos tiros de Dona Tiburtina, João Alves e da tropa.
Para Marquinhos 98 aquele espaço era o paraíso. Marquinhos ganhou o apelido por ser o carnavalesco do Grêmio Recreativo Escola de Samba Destak – e, dizem, se parecer com Joãozinho 30. Consertava nas horas vagas, sofás e hoje aluga DVDs. Segue a vida como o Cônsul Geral do Reino dos Países Baixos dos Morrinhos de Nosso Senhor do Bonfim de Dona Germana.
Para Leya Bloodymary aquilo era o submundo romântico de Montes Claros por onde, vez ou outra passava a caminho da Ladeira Cônego Quirino. Ali perto existiam muitas casas de encontro, algumas melhores, algumas piores, apenas casas de encontro com suas mulheres cansadas, de olhar morto durante o dia, mas que estavam pintadas e putas à noite. Prontas para fazer o que tinha que ser feito.
Naquele Reino dos Países Baixos tinha sacanagem, malícia, putaria. Isto sempre atraiu Leya Bloodymary. Faltava só um show de Kurt Weill. Aquele pedaço de terra de Montes Claros era o lugar de encarar temporais e enfrentar marginais, brigar em bares e saquear corações. E Leya sabia fazer isto muito bem.
No bar da mãe de Marquinhos 98, o Destak, aquele pontinho preto no mapa da cidade, estavam aqueles de vida errante, entregues a qualquer paixão, à deriva dos sonhos prometidos. Ali se podia marcar encontro com o pecador confesso, o clandestino moderado, o traficante sem medo.
Ou com o herói do botequim, que roubava flores no jardim da solidão para oferecer à namorada de um amigo velho – ou novo, não importava nem mesmo se fosse amigo. Mesmo aquele que conhecera ali naquele instante que parecia perdido no local e estava com a mulher ao lado, a mulher que é de seus sonhos naquele momento em que a bebida faz a razão se encontrar com a rota das sereias, as iaras que cantam em nossos rios. É imoral, indecente, fuma demais, bebe demais, ouve Maisa demais. Mas sempre oferecia uma flor – de preferência, uma rosa – àquela que seu coração mandasse. Quem diria que somos limpos e sem defeitos, a imagem e semelhança de Deus?
Ali era o paraíso dos compositores desgarrados e dos poetas malditos. E os começos, meios e fim! Aquele pedaço da cidade era cheio de xavequeiros, vagabundos elegantes, canalhas românticos, do boêmio trovador, e daquele de cabelo calculadamente desarrumado, o michê. Era ali que Leya Bloodymary amava ficar. Era ali que gostava de viver. Leya, último de uma linhagem de heróis da cidade, que tinha até o busto do avô na pracinha. Fica cada vez mais claro que o tempo presente e o tempo passado talvez estejam ambos presentes no tempo futuro, como achava T.S.Eliot.

O sertão de Cícero Billie Joe

Escutando novamente o CD do amigo velho Cícero Billie Alves (Volume III – Os Originais não se Desoriginalizam) pode-se comprovar que o velho roqueiro não perdeu a ternura, mesmo rolando por pedras tão estranhas, como estas que se encontram nas areias do Rio Gorutuba.
Afinal de contas, e posso falar de cadeira, o Vale do Gorutuba - que faz parte do Vale do Verde Grande – oferece sotaques, costumes e manifestações artísticas das mais diversas, o que o transforma o lugar em um grande caldeirão efervescente de cultura.
Rapidamente podemos lembrar além da diversidade de Cícero, dos magistrais Beija Flor, com sua tessitura narrativa, mostradas em canções com ‘Gameleira‘ e ‘A Bala de Ouro’ (esta gravada com Téo Azevedo), Carlito com seu canto renascentista, revelador e tristonho, mostrando as auguras do rio e do povo, do trio Canto Livre formado por Bha, Delvi e Tino, de Beira Mar, Jackson Antunes, Paulinho Pintor, Zé Mineiro, Gio e Géo, Decão e tantos mais.
Está faltando realizar-se em Janaúba um Fórum Cultural, o que serviria para afirmar o valor da arte independente e espontânea que nasce nas ruas e vielas da cidade, buscando mais ainda o que existe nos guetos do vale. Pode ser uma valiosa ferramenta para o desenvolvimento cultural desta região norte-mineira, incentivando o resgate de identidades culturais. Mas isto é problema para o Arnaldo Pereira resolver pro ano. O nosso...
O nosso é falar da batida agressiva do rock‘n‘roll do Billie Alves, que se mistura ao forró pé-de-serra e a música caipira dos brejos. Para ele, a inspiração é a mesma. Com vários discos independentes – um, de forró, não lançado comercialmente –, sua arte começa a cair no gosto dos formadores de opinião, embora seja um dos maiores vendedores individuais de CDs independentes desse norte-mineiro. Só com seu primeiro CD, ele tirou quatro edições. Menino levado das barrancas do Gorutuba, acostumado com estiagens e enchentes do córrego-rio, colocou debaixo do braço o álbum e caiu no bengo. Vendeu, gastou, fez outros... Divertiu-se o moleque Billie muito mais em cima do palco, do que nós apreciando suas músicas na platéia. Ou o contrário... Sei que todos se divertem.
Cícero Billie Alves é um caso paradigmático, poeta da prosa, e um místico personagem do Vale que vai encantando e espantando a todos com suas formas narrativas. Elas extrapolam a mera classificação de música. Este CD, por exemplo, mistura recursos eletrônicos a uma base instrumental executada com competência, sem jamais perder a melodia de vista. Nele tem experimentação, baladas com belos vocais e rock do bom. Mas o moleque Billie é assim: capaz de ir a um evento em Belo Horizonte ou Almenara, levando na bolsa seu CD independente para distribuir. E assim a vida segue.
Afinado e cheio de estilos, ele interpreta suas canções - como Canção do Sofrê, a mais conhecida, mas nem por isso uma das melhores - atraindo os bons espíritos. E cria um universo no sertão em nossa cabeça, com narrativas e histórias naquela literatura sertaneja. O sertão que Billie - apelido que ganhou por causa de suas interpretações rockianas -, constrói, não se alimenta dos livros que leu, nem de um conhecimento prévio da vida do interior. É ligado às memórias da infância. É ligado ao momento atual. Ele sempre viveu como um morador do campo. Se ela, a inspiração, vem em ritmo mais quente do rock, mais critico do blues ou mais terno, da nossa música sertaneja, não tem problema. Ele vê nossa terra como poeta, da poesia das paisagens e lugares.
Só falta mesmo penetrar na alma de seus personagens.
Mais ainda...

O sertão de Cícero Billie Joe

Escutando novamente o CD do amigo velho Cícero Billie Alves (Volume III – Os Originais não se Desoriginalizam) pode-se comprovar que o velho roqueiro não perdeu a ternura, mesmo rolando por pedras tão estranhas, como estas que se encontram nas areias do Rio Gorutuba.
Afinal de contas, e posso falar de cadeira, o Vale do Gorutuba - que faz parte do Vale do Verde Grande – oferece sotaques, costumes e manifestações artísticas das mais diversas, o que o transforma o lugar em um grande caldeirão efervescente de cultura.
Rapidamente podemos lembrar além da diversidade de Cícero, dos magistrais Beija Flor, com sua tessitura narrativa, mostradas em canções com ‘Gameleira‘ e ‘A Bala de Ouro’ (esta gravada com Téo Azevedo), Carlito com seu canto renascentista, revelador e tristonho, mostrando as auguras do rio e do povo, do trio Canto Livre formado por Bha, Delvi e Tino, de Beira Mar, Jackson Antunes, Paulinho Pintor, Zé Mineiro, Gio e Géo, Decão e tantos mais.
Está faltando realizar-se em Janaúba um Fórum Cultural, o que serviria para afirmar o valor da arte independente e espontânea que nasce nas ruas e vielas da cidade, buscando mais ainda o que existe nos guetos do vale. Pode ser uma valiosa ferramenta para o desenvolvimento cultural desta região norte-mineira, incentivando o resgate de identidades culturais. Mas isto é problema para o Arnaldo Pereira resolver pro ano. O nosso...
O nosso é falar da batida agressiva do rock‘n‘roll do Billie Alves, que se mistura ao forró pé-de-serra e a música caipira dos brejos. Para ele, a inspiração é a mesma. Com vários discos independentes – um, de forró, não lançado comercialmente –, sua arte começa a cair no gosto dos formadores de opinião, embora seja um dos maiores vendedores individuais de CDs independentes desse norte-mineiro. Só com seu primeiro CD, ele tirou quatro edições. Menino levado das barrancas do Gorutuba, acostumado com estiagens e enchentes do córrego-rio, colocou debaixo do braço o álbum e caiu no bengo. Vendeu, gastou, fez outros... Divertiu-se o moleque Billie muito mais em cima do palco, do que nós apreciando suas músicas na platéia. Ou o contrário... Sei que todos se divertem.
Cícero Billie Alves é um caso paradigmático, poeta da prosa, e um místico personagem do Vale que vai encantando e espantando a todos com suas formas narrativas. Elas extrapolam a mera classificação de música. Este CD, por exemplo, mistura recursos eletrônicos a uma base instrumental executada com competência, sem jamais perder a melodia de vista. Nele tem experimentação, baladas com belos vocais e rock do bom. Mas o moleque Billie é assim: capaz de ir a um evento em Belo Horizonte ou Almenara, levando na bolsa seu CD independente para distribuir. E assim a vida segue.
Afinado e cheio de estilos, ele interpreta suas canções - como Canção do Sofrê, a mais conhecida, mas nem por isso uma das melhores - atraindo os bons espíritos. E cria um universo no sertão em nossa cabeça, com narrativas e histórias naquela literatura sertaneja. O sertão que Billie - apelido que ganhou por causa de suas interpretações rockianas -, constrói, não se alimenta dos livros que leu, nem de um conhecimento prévio da vida do interior. É ligado às memórias da infância. É ligado ao momento atual. Ele sempre viveu como um morador do campo. Se ela, a inspiração, vem em ritmo mais quente do rock, mais critico do blues ou mais terno, da nossa música sertaneja, não tem problema. Ele vê nossa terra como poeta, da poesia das paisagens e lugares.
Só falta mesmo penetrar na alma de seus personagens.
Mais ainda...

A cabeça pensante da nossa MPNM

Existe em algumas pessoas um jeito de ser, que espanta aos menos avisados. Ildeu de Jesus Lopes, Braúna, é um desses tipos. Um compositor sóbrio. Em todos os aspectos desta sobridez. Seu trabalho não vem de agora e não deve terminar nunca. Vem d‘outros mares, talvez já navegados. Mas sem o forte sabor catrumano que ele dá a eles.
Conheço Braúna, nome que escolheu, de berço, desde antes de dividir seus cantos. E ele continua fazendo o mesmo escriba, seja em parcerias distanciadas ou não. Um compositor, escritor e poeta que atinge a perfeição em músicas como Rasante (voa rasante sobre a cidade...), Bandeira Boiadeira (Meu patrão carrega o ouro, eu carrego a bandeira...) ou a recente Rosa Amarela (só eu conheço no vento o cheiro do meu amor...).
Seu método submete-se ao prazer da inspiração. Isso porém não impede uma regra básica, utilizada para mostrar seu sertão como uma rival da mulher amada.
Seu escrito tem algo de invisível aos olhos num primeiro momento, mas que vai bater nos corações e mentes. Tem um quê de pesquisa, onde chapadas, cerrados, sertões e veredas se confundem.
É como o canto do galo, os corações tatuados em árvores, que a gente teima em edificar nos edifícios da cidade. Ele é assim, se envereda pelos trilhos costumeiros de um tempo que pode nascer quando um colibri se apaixona por uma gota de orvalho, ou o caboclo d’água, em banzo, fica brincando serelepe na beira do rio.
Embora esteja gravado nas grandes vozes da MPB, como Sérgio Reis, Téo Azevedo, Saulo Laranjeira, Renato Teixeira, Pena Branca e Xavantinho, para citar apenas uns, não cultiva o mito. Assim como veio, o sucesso vai, de empréstimo, como costuma pregar aos menos avisados, ou aos que se acham escolhidos para a fama. Afinal, o panorama da música popular brasileira é muito instável. E da nossa música popular norte-mineira, mais instável ainda.
Braúna escreve para um povo morador da mata do sem fim, bem no coração das cidades. É como aquele pontinho do mapa, casa com pé de goiaba branca.
Na verdade, é um dos raros compositores pensantes deste nosso sertão. Pensante, sobretudo, pela própria cabeça e intuição musical forjada na percepção da Vila Brasília de seu coração. Cada novo trabalho seu significa um compromisso com o repertório quase tão profundo quanto a própria ligação autoral.
Seja na música, seja no poema, nas histórias e na prosa, ou mesmo no papo levado até a tarde, debaixo de qualquer pé de jabuticaba, este caipira da cidade busca encontrar o catrumano dentro de si.
Nós nunca vamos conhecer o rumo de sua galáxia, mas ele, às vezes, deixa uma dica, no final da conversa malevolente: parece que é perto de Delta, no Cruzeiro do Sul. É lá que ele escreve coisas leves. E tão bonitas.
Não ficará conhecido como o superstar do sertão. Mas sim, a cabeça pensante, depois de João Guimarães, que reinventou a escrita da nossa terra. Ou melhor, a roda!

Os botequins destes nortes do Norte

‘Montes Bares Claros’, o poema de Tico Lopes musicado por Wanderdaick, ronda minha a cabeça quando lembro dos botequins por onde passei nestes nortes de Minas. São nortes, sim, são vários. Há o norte de Janaúba, o norte de Salinas, o norte de Januária, o norte de Pirapora, e por aí vai. Afora.
Nossos botecos, bareszinhos, botequins, muitas das vezes são mal-vistos por retrógrados, combatidos por moralistas e atacados por frustrados. Mas é neles que, na verdade, se discutem assuntos realmente sérios. Como futebol, música e mulher. Neles, ainda, importantes decisões políticas são tomadas. Mirem-se no exemplo do ‘Quintal’, do Valtinho, onde todas as tardes havia reunião com nosso prefeito Mário Ribeiro, Marão, e (quase) todo secretariado. Além de vereadores, amigos e serrotes.
Também são nestes botequins que obras-primas são concebidas. Ray Colares criou maravilhas ao passar pelo Sibéria. Beto nos bareszinhos da Ruy Barbosa, Tino, naqueles da Vila Guilhermina, como o antigo ‘Bar do Mô’. E são neles, ainda, que casos de amor iniciam, mágoas são afogadas e sonhos, embalados.
Passei várias noites nestes nortes, em cidades que marcaram minha vida. Todas, é bom frisar, marcam. Seja por um motivo qualquer, uma história, uma dor, uma viola ou um canto de bossa nova, embalado pelo Fausto, tocador nato que, depois de pirar o cabeção na Bovespa, voltou para Janaúba, onde é professor... E toca solando esplendidamente. Pois, nestas cidades, após o expediente ou as reportagens normais, ficava a perambular, tentando encontrar o sentido delas, coisas novas e divisíveis com os outros nortes do nosso norte.
Foi andando por estes cantos que fiz uma relação, hoje talvez ultrapassada, como a música do Tico e Daick, daqueles botequins que chamavam atenção. Marcaram um tempo, indivisível. Encontrei os nomes agora mesmo, numa agenda antiga, destas que a gente vai marcando dias e, nelas, os anos vão ficando. Para sentir que estamos envelhecendo. A maldição suprema seria envelhecer? Sem perder a ternura? Sei lá!
A vida parece uma charada absurda e incrivelmente nova, pronta a ser decifrada à força do suor e eletricidade. Quem ainda não pensou numa saída de emergência? Conhecer o sabor da glória, provar todas as delícias, mudar a face da terra, ou mesmo andar pela estrada e criar uma lenda. Nossos botequins nos dão isso. Tudo. E mais.
Ta certo, meu caro, que já mostrava o poetinha ser a vida diferente. Na vida real, quando muito, há um assassino triste e doente. Na vida real, todo mundo mexe em time que está ganhando. E por que haveria de ser diferente?
Até para estes nosso botequins, bareszins, restaurantins, o tempo passa...
Onde estão a Varanda, Roda Viva, Maria Clara, Rafa’s, La Pizzarela, Redondo, Chica, Seis a Seis, Quintal, Toco, Kaminho de Casa, Muralha’s, Young, Mangueirinha, Espeto de Ouro, Intermezzo? Isto, para citar alguns, de Montes Claros.
E neste norte de Meu Deus?
Em Januária, acredito que continua, naquele bequinho, perto do antigo cinema, o ‘Babalú’, onde a pinga e o licor são de graça. É só servir. Comida a quilo, mas se você chegar com jeitinho, fazem, sob encomenda, um surubi ou dourado assados. Arroz com pequi na terra da Princesa Januária, você encontra seja janeiro, junho ou outubro. À noite, servem uma sopa, de graça, para os frequentadores mais assíduos. Ou apadrinhados. Tem ainda angu com quiabo, cuscuz, pamonha, picado de arroz dourado assado e coisa do puba, uma mandioca enterrada posta na água para fermentar, que usam, para fazer bolos. Pedrinho Gonçalves usa para atrair peixes.
A ‘Pizzaria Vennuttus’, em Várzea da Palma, não vende pizzas. Na verdade, é uma churrascaria. No ‘Donizeti’ se encontra o melhor bife acebolado daquele norte. E tem um procedimento simples, mas raramente adotado: os copos são resfriados e trocados a cada cerveja servida.
Na Praça do Coreto, em Pirapora, tinha o ‘Ducinema’, com batidas de pinga a perder de vista. Lembrava o antigo Chopão da rua Lafetá, em Montes Claros. Embora tenha perdido espaço para a caipirinha nos bares da moda, as batidas de frutas ainda são encontradas em botequins mais antigos. Zé Amorim fazia uma, de limão, no Espeto de Ouro, que deixa lembranças ainda hoje.
Na Avenida Salmeron, em Pirapora, tem o ‘Kaka’s’, nas Duchas, ‘Pôr Do Sol’ com língua recheada da melhor qualidade. O mexidão do ‘Sabor Mineiro’, no Santo Antônio, a comida caseira do ‘Bife no Pé’, na saída para Montes Claros, e o peixe assado na brasa, servido no espeto, do ‘Egnaldo’, pra ninguém botar defeito. Pirapora está bem servida ainda hoje.
Na praça Imaculada Conceição, em Buritizeiro, o ‘Tuka’s Bar’ serve um caldo de feijão de lamber os beiços. Dentro, você encontra deumtudo, mas não pergunte o que é.
‘Pé na Cova’ é daqueles endereços tão folclóricos que ninguém sabe a data de inauguração. Fica subindo para um dos nortes, em Francisco Sá. Está ao lado da entrada principal do cemitério da cidade, e é especialista em churrasco de frango. Tem gente que senta de costas para o cemitério. Para não ofender aos mortos. Outros sentas de frente, para beber aos mortos. Muito da fama do ‘Pé na Cova’ aconteceu por causa da localização estratégica e da boa vontade da então secretária de Cultura, Ana Valda Vasconcelos, em levar todo mundo pra lá. A frequência não dá a menor bola para a enorme simplicidade da instalação. Estão preocupados mesmo é com a qualidade do, digamos, substancial churrasco de frango.
Sempre sossegado, o ‘Bar do Zezão’, em São Francisco, é definitivamente um boteco familiar. Os mais chegados chamam o lugar simplesmente do ‘Cudipadre’. Fica na praça Januária, no fundo da igreja Matriz. Naquela casa velha, de balcão de madeira, antigo, para cada dia da semana tem um prato diferente: mandioca com manteiga vem com fartura, almôndegas, peixe, ‘feijuca’ as sextas à noite. E pinga boa. O detalhe: abre às 18, fecha às 22.
Já o ‘Peixe Vivo’, vive da fama. Passei lá com o Mércio Coelho e Ildeu Braúna, mais para apreciar a vista, pois o local é bonito e agradável. O atendimento é que não são lá estas coisas. Pode ser que a gente tava de bermuda. Sei lá! São Francisco ainda nos deu o ‘Bar do Antônio Doido’ e o ‘Marron Glacê’, ao lado do cemitério. A aguardente é gratuita, e peixe, frito, no quilo, gostosinho.
O ‘Boteco do Tim’, em Brasília de Minas, é o barzinho dos intelectuais da cidade. Se Vinícius de Morais tivesse conhecido este bar, a Garota não seria de Ipanema. Se Egídio Medeiros deixasse. Já o ‘Bar do Jacu’ é o ponto de encontro dos políticos, com sua cachacinha generosa, frango caipira e dobradinha, servidos pelo João Jacu. Tem ainda os botecos do ‘Jucão’, no Alto Claro, do ‘Tião Mansinho’, cujo feijão tropeiro não tem ovo nem torresmo, e do ‘Wilsão’, que é asseado, barato, mas insosso.
No norte do Grão-Mogol, o bom é conhecer um garimpeiro, PM reformado, que tem boas histórias pra contar. E é dono do Rampa’s, um botequim que, se beber muito, descer é fácil.
Na histórica São Romão, de Vó Angélica, o Velho Chico, de Francisco Bezerra, não vende peixe. Só churrasco. Já o boteco do Elielson fica em cima do rio. Tem peixe do bom, fartura de cerveja gelada, papo supimpa e bolinho de aipim. O bar virou ponto obrigatório de passagem de músicos que se apresentam na cidade. Fatel gostou tanto que virou uma espécie de madrinha do lugar. Certa vez, a cantora chegou às 3 da tarde e ficou até fechar.
O ‘Bar da Lú’, de Salinas, tem o nome parecido com o de Januária. A Havana é legítima, assim como a dona, Lú, que vai para o fogão, bate papo com o cliente, senta-se à mesa e, se der, ainda paga a saideira. O salão comprido, cheio de estilo, tem muita história para contar. Foi passagem de muita gente importante. Fica na praça principal, ponto de encontro da gente do lugar. A Câmara e a Prefeitura funcionam ali ao lado, e fornece os políticos. Músicos vinham de todos os lugares, e Juízes de Direito, advogados, empresários completavam o cenário. Além da pinga legítima de Salinas, autêntica (tem boteco lá que não vende a legítima), tem o rabo de galo (cachaça e Cinzano) mais gostoso que tomei.
A superioridade dos nossos botequins é inquestionável. E olha que falei de alguns, destes nossos nortes do Norte. Nem passei perto de Montes Claros ou Janaúba. São testemunhas da história de cada cidade. De cada norte. Estes lugares guardam a alma dos seus frequentadores em cada mesa, em cada fotografia ou calendário pendurado na parede, nos nomes dos petiços e, acima de tudo, na memória dos seus proprietários. E de nós mesmos.

O instante, o feitiço, a cangalha

Conheci Edson Cury na exposição de 1989, em Janaúba. Estava com ele um grande número de artistas. Meu olhos se voltaram para a chacrete Rita Cadillac, para quem o radialista Raul Luiz Dond, o Degas mais velho, fechava a mão todas as noites, ao ir para casa dormir. O jornalista Benjamin Oliveira Junior, o Degas mais novinho, fazia a chacota, dia seguinte, quando os três Degas se reuniam e levavam ao ar os 10 minutos mais interessantes da Rádio Gorutubana, “Os Degas”. Bem dizia Georgino Jorge de Souza Junior: é necessário perpetuar-se nos pequenos adereços.
Edson Cury, para os menos avisados, era conhecido como Bolinha. Foi à Janaúba apresentar seu programa durante uma exposição agropecuária. Naquele palquinho antigo do parque, mostrava praticamente seu programa da TV Bandeirantes, cheio de artistas. Alegre, regado a um bom uísque Chivas 12 anos, servido em doses generosas enquanto algum artista de sua “troupe” se apresentava, fez a festa daquele ano. E olha que a Bandeirantes nem pegava direito na cidade gorutubana. Mas a Rita...
Falei certa vez sobre a influência musical da televisão em minha vida. Não foi só a musical. A máquina de fazer doido, do Stanislaw Ponte Preta, nos influenciou – e influencia – em quase tudo. Como os donos da platéia, tipo Bolinha, que me fez recordar Janaúba dos anos de 1980/1990.
E Chacrinha? Foi o grande divulgador da MPB. Alegrava o auditório com suas fantasias, bordões (“Alô, alô, Terezinha” ou “Quem não se comunica, se trumbica”), farta distribuição de bananas, bacalhaus e o troféu abacaxi. Foi através dele que, no início da década de 1970, em Montes Claros, apareceu a “Buzina do Chacrota”, transmitida pela Rádio Sociedade, ZYD-7, diretamente do Ginásio Darcy Ribeiro (e até do Parque de Exposições), comandada pelo insuperável Gélson Dias. A Buzina de GeDê durou de 1970 a 1974. Foi lá que nosso conjunto (olha só, a reunião minha com Ricardo Xarope, Hudo Fidelcino, Grimaldo e Romeu) apresentou a música ‘Preta Pretinha’. Sob vaias! Muitas. Imensas. Milhares. Mas com muito suingue e alegria. Para nós.
Como a Rádio ZYD7 produzia em Montes Claros, naqueles tempos dourados. Ela, como Gedê, Félix Richard e Batista Caldeira, Daniel, Jota Lóis e Goiabão merecem, cada um, um espaço inteiro e maior em nossa vida. Como o de Geraldo Ferreira, Geraldão.
Mas falamos lá de fora. Não podemos esquecer de Flávio Cavalcanti nas tardes de domingo e seu “Um Instante, Maestro”. Como era critico o Cavalcanti. Com quebrava discos. Enquanto ele parava a orquestra, eu começava a escrever “Rádio, Discos e TV” no Diário de Montes Claros, mesma época em que “Pagão de Pai e Mãe”, o programa de estréia do prefeito montes-clarense Luiz Tadeu Leite era levado das sete as oito na “Furiosa”. Jóta Lóis, que por tantos anos animou a cidade com seus programas, mudava-se para Belo Horizonte, onde marcávamos encontro no barzinho do pai de Nelcy Lopes, no bairro Floresta, comendo a típica carne de sol montes-clarina e bebendo uma pinga do norte. Com Geraldão Ferreira a tira-colo.
E – ra-ra-raiiii – o Senor Abravanel, com o Programa Silvio Santos. Empresário bem sucedido, esbanja energia (e alegria) até hoje com suas “colegas de trabalho”. E o peso pesado Faustão. Ô loco, meu! Gostava mais dele em “Perdidos na Noite”,quando improvisava adoidado (inclusive com equipamentos), soltava farpas humorísticas e muita bobagem. Agora, infelizmente, controlado. Coloquemos no rol dessa fama ainda o espontâneo Raul Gil (de tirar o chapéu), a pancadaria de Carlos Massa, o Ratinho, que já não leva ao ar as cenas grotescas de crianças com doenças incuráveis, brigas familiares e bizarrices mais. Nem tem o Ibope de antigamente.
Em Montes Claros ainda era tempo da ZYD7, comandada pelo jornalista Elias Siufi. Tempo de transmissões ao vivo, do show de Teixeira Bastos do Cine São Luiz. Como eu tinha que fazer cara bonita chupando limão e aguentando as graçinhas da platéia, para ganhar pacotes de Café Primor (ou Diplomata). Tudo isso nos resume o instante, o feitiço, a cangalha.